Quase deixei um _________ no lugar da palavra “incerto” do título, de tão incerto que o futuro poderá ser.

Vamos falar de mudanças e qual o papel do Humano diante delas.

Afinal, não somos completamente vítimas e reféns das circunstâncias.

O futuro da Humanidade depende de nossas escolhas.

Nossos maiores desafios são o ódio, a ganância e a ignorância.

E nós podemos reagir com compaixão, generosidade e sabedoria.

A obra distópica de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo”, retrata uma sociedade do futuro, dividida entre dois mundos.

Um é o civilizado, com um Estado forte e bastante tecnológico.

Outro, o selvagem, onde há afeto, religiosidade e liberdade.

No mundo civilizado, o Estado tem o domínio bio-psico-social da vida dos indivíduos. 

Os bebês são produzidos em laboratório e, desde cedo, condicionados a serem felizes numa determinada classe social (“amar o que se é obrigado a fazer”).

Não existe afeto entre as pessoas. O acesso ao conhecimento é completamente restrito. O passado é evitado. A arte e a Ciência são um risco à estabilidade. 

As pessoas tomam pílulas de “felicidade” quando experimentam algum sentimento negativo.

Para fugirmos de um cenário como esse, Yuval Harari (autor do best-seller internacional Sapiens: Uma breve história da humanidade, Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã e 21 Lições para o Século 21), dirá que precisamos focar nas habilidades essencialmente humanas.

Ninguém sabe como será o mercado de trabalho em 2050.

A inteligência artificial (IA) e os robôs farão com que muitos empregos deixem de existir até lá.

A matéria prima de maior valor no mercado serão os dados, alimentos das inteligências artificiais.

Será primordial focarmos nas leis de proteção de dados, políticas de privacidade e segurança, Ética e consciência coletiva.

Não podemos avançar muito no desenvolvimento de IA e deixar de lado o desenvolvimento da consciência humana. Não podemos criar um abismo entre o nosso poder e a nossa sabedoria.

Isso aumenta as chances do ser humano causar estragos para si, para o outro e para o planeta.

Por milhares de anos, filósofos e profetas instigaram as pessoas a se conhecerem. Esse conselho nunca foi mais urgente do que é no século XXI.

Daqui pra frente, o indivíduo precisa investir muito na sua inteligência emocional e resiliência mental.

Temos que cuidar para não sermos humanos muito inteligentes e disciplinados, mas sem sensibilidade artística, compaixão e profundidade espiritual.

De acordo com Bortolo Valle, no Prefácio da obra “À escuta do infinito: estamos mais perto de Deus?”, o conhecimento deve conduzir ao insuperável sentido do homem.

O mistério é a condição primeira de nossa busca. O mistério que envolve a plenitude do sentido humano é o horizonte do conhecimento. 

Nossa sede de saber não se sacia jamais com a posse, mas com o desconforto oportunizado por aquilo que ainda não somos e ainda não temos. 

O conhecer também pressupõe um reconhecimento dos nossos limites para, juntos, enfrentarmos a tirania das exclusões. Já deve ir longe o tempo das separações. Precisamos do diálogo. 

Como não sabemos quais serão as habilidades necessárias para 2050, sugere-se que a educação esteja voltada aos “quatro Cs”: pensamento Crítico, Comunicação, Colaboração e Criatividade.

As práticas educativas devem estar voltadas aos processos cognitivos de alta ordem, como análise, julgamento e criação. 

O homem precisa estar, continuamente, aprendendo e mudando, reinventando a si mesmo, de novo e de novo.

As pessoas devem considerar normal o desconhecimento, o caos e o fracasso, mas sem perder o equilíbrio mental.

Tecnologia transforma, mas nós decidimos o que transformar.

A melhor forma de prever o futuro é construir o futuro.

O melhor cenário é aquele onde a tecnologia liberta a humanidade de doenças e permite que cada ser humano explore os seus melhores potenciais.

Abominável mundo novo se a Tecnologia vier desacompanhada de Humanidade.

Minhas saudações aos selvagens.

Grata pela leitura,

* Tati(ane) Fonseca é amiga da Filosofia, estudante de Mindfulness, Neurociência, Psicologia Positiva e praticante de Yoga.

Referências Bibliográficas

À escuta do infinito: estamos mais perto de Deus?, Fabiano Incerti (coordenador); tradução: Natan Marinho Junior – Curitiba: PUCPRESS, 2018.