Fotos: Moskow

O Brasil é um país diverso, cultural e socialmente, e isso também inclui as religiões. Então não podemos, a não ser que nosso projeto de país seja o apagamento da diversidade e da expressão do nosso povo, nos esquivar de um debate sério sobre a intolerância religiosa. Ela existe, sobrevive e, em muitos caso, ganha aval de agentes públicos.

Além disso, em nossas cidades, e Foz do Iguaçu se inclui, o tema não é tratado de forma aberta e transparente, porque, e ao que me parece, há sempre uma leitura de que o assunto possa causar reações de outros segmentos sociais. Mas não estamos falando de humores, mas de direitos. Os governos, de toda espécie, só colocam a pauta em debate e tomam atitudes quando o assunto vira caso de polícia ou quando a população, de certa forma, se movimenta.

Sobre esse tema, e olhando para o território de Foz, algumas medidas devem ser tomadas, listo aqui quatro:

1- fazer uma grande pesquisa de campo, séria, coordenada por nossas universidades e seus cursos que estudam as religões e a cultura, para termos um dado concreto e real do número de templos religiosos de nossa cidade e quais religões estão presentes, e oferecer auxílio para que esses espaços possam se regularizar e estarem aptos a funcionar, evitando assim ações que possam gerar interdições, multas ou mesmo interrupção das atividades, uma vez que muitos templos fazem trabalho social e ajudam na vida comunitária local.

2- iniciar um grande programa de informação e educação para o respeito às expressões e à religiosidade, capacitando profissionais de saúde, da educação, de fiscalização e da assitência social para ações de acolhimento inclusivas e mais humanizadas.

3- garantir os espaços e a segurança necessárias para as práticas religiosas e não permitir a propagação do ódio, do preconceito e da desinformação. Além de permtir que, como outras religiões, as de matriz africana – que em geral sofrem mais com a intolerância – tenham acesso à direitos, como a criação de um Vale dos Orixás, permissão para coletas de ervas e plantas inerentes às cerimônias e, inclusive, acesso de sacerdotes a espaços de saúde onde membros da religião estejam internados e as famílias querem receber suas orações.

4- demonstrar o orgulho que a cidade tem de sua diversidade, abrindo espaços públicos para festivais de cultura e diversidade, sem segmentar, organizar feiras e festividades e colocar na mesma mesa de diálogo, e em igualdade de direitos e condições, representantes de todas as religiões presentes no município.

Combater a intolerância religiosa faz a cidade ganhar muito, em qualidade de vida, respeito ao morador e garantia de direitos.

Luiz Henrique Dias é professor e mestrando da Unila.