Eu e meus pais testamos positivo para COVID 19.

Tomamos as 3 doses da vacina e tivemos apenas sintomas leves (para os que se preocupam).

Estamos em casa há quase duas semanas.

Aproveitei a oportunidade e também me distanciei das redes sociais (para os que estão sobrecarregados, de alguma forma, recomendo o mesmo).

Ganhei um precioso tempo para pôr a casa mental em ordem e refletir.

Nesse período, dois temas ganharam minha atenção e é sobre eles que irei escrever: carência e amor próprio.

Começo indicando uma aula da professora Lúcia Helena Galvão (clique aqui para assistir).

Confesso que o conteúdo foi um baita puxão de orelha para mim.

Ela listou alguns dos combustíveis para o sentimento de carência (tristeza ao sentir-se sozinho/rejeitado/abandonado, acompanhada da necessidade de receber afeto, amor e carinho).

O primeiro combustível é a dificuldade de amar a si próprio, de valorizar a si próprio.

Você se ama? Assim, do jeitinho que você é? Você compreende os seus defeitos, sem brigar consigo mesmo por tê-los? Você acredita em si, no seu potencial, nas suas qualidades? Você está ciente do valor que tem?

Às vezes, acho relativamente fácil responder “sim” para essas perguntas. Outras vezes, no entanto, é extremamente difícil.

Neste segundo caso, quando tomo consciência dele, procuro uma injeção de amor próprio para tomar.

Começo questionando: quais pensamentos estão patrocinando essa auto depreciação?

Depois, assim como atuam os anticorpos, trabalho para combater esses pensamentos.

Procuro substituir o antigo patrocinador por um que seja melhor.

E de pensamentos refinados, caro leitor, a Filosofia tem de sobra.

Eis como fui parar na aula que mencionei no começo do texto.

Filósofo se cura com ideias”, eis uma das frases que me marcou durante a exposição da professora.

Além da falta de amor próprio, a incapacidade de distribuir amor em tudo aquilo que fazemos também alimenta nosso sentimento de carência.

Fazer as coisas por fazer, no automático, desconectado, sem zelo e nem carinho.

Deixar um pedaço do nosso coração nas coisas que tocamos aumenta nossa experiência de amar.

Concentrarmos nosso amor numa única coisa é um caminho perigoso também.

Numa única pessoa, por exemplo.

Desta forma, ao invés de feixes, criamos uma espécie de raio laser, que pode acabar sufocando o objeto para o qual estamos mirando.

O egoísmo é o terceiro item da nossa “black list”.

O generoso dificilmente se sentirá carente porque de tanto doar, preenche a si próprio.

Em quarto lugar: a falta de um objetivo de vida claro.

O que te orienta na vida? O que te motiva a sair da cama todos os dias? Qual a sua luta? Você olha para o horizonte, sem comparar-se com os outros? Sua vida interior é vazia? Você necessita de aprovação externa o tempo todo? Você está construindo sua melhor versão, tijolinho por tijolinho?

Colocar-se no papel de vítima, em quinto e último lugar.

Injeta uma boa dose de dignidade nessa veia também, por favor.

Escolher ser vítima é confortável, afinal, eu retiro a minha auto responsabilidade.

Apenas cuidado: você é o agente, não o todo poderoso.

Fortalecer a vontade.” Nas palavras da Lúcia Helena Galvão, imagine um funil: os problemas entram de diversas formas, mas para sair deles, só canalizando a nossa vontade.

Na Filosofia, essa palavra “vontade” dá um bom pano pra manga! Podemos explorar ela com mais riqueza num próximo encontro.

Antídotos contra a carência? Temos alguns. Sirva-se à vontade, se lhe apetecer.

Antes, vamos relembrar: somos seres sociais.

Relações de qualidade com outras pessoas são fundamentais para nossa qualidade de vida.

A pandemia e o isolamento que dela decorreu, mostraram como a falta de contato físico prejudica nosso bem estar.

A tristeza oriunda desse afastamento é um sinal de que o contato com o outro é importante para nós, para nossa sobrevivência.

Então vamos aos (possíveis) antídotos:

  • Cuidar, primeiro, da relação que temos com a gente mesmo.

A famosa frase “conhece-te a ti mesmo”, ganha um contorno a mais para quem se sente carente: “conhece, respeite e te realiza”.

  • Aprender a ter momentos de solitude.

As grandes questões da vida precisam de silêncio.

Estar só, às vezes, nos permite crescer e ter o que compartilhar com os outros, sempre.

Solitude é virtude. Solidão é defeito.

Há momentos de se abrir e outros, de se fechar.

  • Distribuir amor, sempre que puder.
  • Cultivar a generosidade e a vontade.
  • Dedicar-se a um ideal (para os não Nietzschianos).

Não é ser insatisfeito, é crescer, se tornar mais denso, ter um propósito mais significativo, mirar cada vez mais alto; é desafiar-se.

Grata pela leitura,

* Tati(ane) Fonseca da Silva é amiga da Filosofia, estudante de Mindfulness, Neurociência, Psicologia Positiva e praticante de Yoga.