Se sim, qual é?

Alerta: esse texto contém spoiler do filme “Soul” e da série “This is Us”.

Vou começar falando sobre férias. Sim, férias (você já vai entender).

Por que gostamos tanto das férias? 

Férias representa uma pausa na rotina que tivemos ao longo do ano. Nas férias temos mais tempo livre e procuramos gastá-lo fazendo mais coisas que gostamos de fazer.

Mas infelizmente, a maioria de nós, tem férias apenas uma vez por ano.

E todos os demais dias? O que fazemos? É possível incluir pausas neles também? Sim, claro. Devemos, inclusive.

É o que costumamos fazer nos finais de semana. Os finais de semana são quase uma mini férias. Também representam uma pausa na rotina que tivemos durante a semana.

E como nos sentimos de segunda a sexta-feira? O que fazemos nesses dias?

Por que esses 5 dias, muitas vezes, são um árduo e pesado esforço ou uma espécie de pedágio caro que só vale a pena quando alguma recompensa vem depois?

Por que não tentamos viver bem ~todos os dias e deixamos de depositar essa intenção só nos finais de semana, nos feriados e nas férias?

Ao final do dia, você para e reflete sobre como ele foi? Quais coisas estão bem e quais não estão? 

Existe um exercício conhecido como o exercício das 3 bênçãos.

Todo dia, antes de dormir, você lista no mínimo 3 coisas que aconteceram pelas quais você é grato e o porquê.

Não demora muito para aparecerem os benefícios. O aumento da sensação de bem estar é um deles, sobretudo quando passamos por momentos difíceis, nos quais as emoções positivas estão menos presentes.

Esse exercício também nos ajuda a identificar as coisas que apreciamos, gostamos e valorizamos. Identificando-as, torna-se mais possível buscá-las com mais frequência.

Assim temos mais chances de fazer com que ~todos os nossos dias tenham valor em si mesmos.

Não podemos deixar que a vida fique muito sobrecarregada, pesada, indigesta e difícil.

É importante que, diariamente, façamos pausas e práticas que nos gere bem estar. Ouvir boa música, sentir um cheiro agradável, saborear uma comida gostosa, admirar a beleza da Natureza, sentir o frescor do vento, tomar um banho reparador, conversar com um amigo etc.

Tantas coisas simples e incríveis estão aí, à nossa disposição e nós, muitas vezes, deixamos que elas passem despercebidas.

Na animação “Soul”, os humanos, antes de nascerem, ganham uma personalidade e uma tarefa importante: encontrar aquilo em que são bons e amam fazer, sua missão/finalidade/talento.

O protagonista do filme, por exemplo, ama jazz e tocar piano. Quando ele está tocando é mágico, é o ápice, é o momento onde ele mais se realiza e entra numa espécie de êxtase e suspensão do tempo. Só existe entrega, é como fugir da realidade e só perceber depois que voltar.

De outro lado, temos a segunda personagem mais importante do filme, que vive um dilema existencial. Há muito tempo ela não consegue encontrar algo em que se considere boa e goste muito de fazer. Tudo para ela parecia tão sem graça. Nada fazia valer a pena a vida aqui no planeta. Não fazia sentido nascer, portanto.

Tudo muda quando, sem querer, ela cai na Terra e entra no corpo do outro personagem.

Então ela começa a experienciar a vida, ter as sensações físicas como sentir cheiros, gostos, toques etc e percebe um certo prazer nisso. Ela sente que a pizza é deliciosa, que o vento é maravilhoso, que caminhar é incrível e que ela é muito boa em identificar e apreciar todas essas sensações!

Finalmente, ela parecia ter encontrado o que sempre buscou. Ela entendeu que o propósito estava ali, na própria vida, em viver a vida.

Por mais que você encontre seu talento e ame exercê-lo, existe algo a mais. Os momentos, as memórias, as experiências, tudo isso é simplesmente… viver. Este é o grande propósito!

Quais momentos fazem valer a pena todas as dificuldades e sofrimentos?

A alegria, o amor, a amizade, a sensação agradável, a beleza, o conhecimento, a sabedoria, a arte, a música etc. Mantermo-nos conectados com tudo isso é o grande propósito.

O que te encanta? Que prazeres você busca? Quais são os seus valores? O que te faz bem? Quais os momentos marcantes na sua vida? O que eles despertam em você? Com quem você estava?

Na série “This is Us”, um dos atores faz o papel de um senhor idoso em fase terminal de câncer. Um dia perguntaram-lhe: “como é estar morrendo?”

Ele respondeu: “Parece que vários pedaços bonitos de vida estão voando ao meu redor e estou tentando capturá-los. Quando minha neta adormece no meu colo, tento capturar a sensação da respiração dela. Quando faço meu filho rir, tento capturar o som da risada dele, como vem do peito dele. Os pedaços estão mais rápidos agora e eu não consigo capturar todos. Posso senti-los escapando dos meus dedos. Em breve, o que é a respiração da minha neta e a risada do meu filho, será nada […] Capture os momentos da sua vida e capture rápido porque uma hora você terá mais nada para capturar.”

O músico toca, canta, a bailarina dança, o professor ensina, o engenheiro constrói, o artista pinta, desenha etc, mas ~todos nós e ~todos os dias temos a missão de capturar esses pedaços que irão construir a nossa história.

A vida é um grande filme no qual você atua e também assiste.

Mantenha-se consciente para reconhecer tudo aquilo que a vida tem a oferecer.

No final, o maior propósito é (“tão somente”) viver o que a vida é.

Conecte-se com essa mensagem para não perder-se durante sua (breve) passagem pela Terra.

Grata pela leitura,

* Tati(ane) Fonseca é amiga da Filosofia, estudante de Mindfulness, Neurociência, Psicologia Positiva e praticante de Yoga.