Uma cidade boa é também uma cidade que valoriza a cultura Hip Hop

Neste final de ano, Foz vive uma apoteose de eventos culturais, artísticos e religiosos, com destaque para o “Natal” na região da Praça da Paz e no Gramadão da Vila A, onde acontecem apresentações, feiras e muita gente tem se divertido e elogiado tanto a organização com a programação.

Mas a cultura de Foz não pode se resumir apenas a eventos. É preciso que façamos uma reflexão para além do que está acontecendo e olhemos para o que não acontece. Falo aqui da valorização da cultura urbana, jovem e de periferia, em especial o Hip Hop.

Na verdade, ações culturais espontâneas e organizadas pelos jovens acontecem quase diariamente no Portal da Foz, no Parque do Remador do Porto Meira, no Morumbi, em Três Lagoas e em tantos outros locais, inclusive centrais como nas praças do Costa e da Marinha, mas há uma invisibilidade do Poder Público quanto a essas expressões artísticas.

É preciso mais infraestrutura e melhorias nos locais onde a juventude se reúne e se expressa, bem como um olhar menos preconceituoso para o skate, o grafite, o rap e as batalhas de rima como cultura verdadeira e também como um sintoma social, onde os jovens expressam sua realidade e seus desejos. Um caldo rico e importante para cidade.

Bem como, é importante a cidade ajudar a financiar eventos de cultura urbana feitos por projetos sociais como o Rap Transformando Vidas – RTV e grupos que organizam as batalhas, dando condições sem, no entanto, tirar a autonomia e o caráter popular e contestador.

Precisamos entender o valor do é produzido aqui e garantir a continuidade, com inclusão e respeito. Uma cidade boa para o turista deve também boa para as pessoas que nela vivem.

*Luiz Henrique Dias é professor e coordenador do Coletivo de Cidadania de Foz do Iguaçu