Calçadas de Foz: 4 ideias para melhorar nossa mobilidade

As calçadas ainda são uma desafio para a cidade. Calçadas descontinuadas ou ausentes e até mesmo obstáculos fixos e móveis, tiram da população o direito de experimentar a escala humana de forma segura e acessível. Por isso, apresento quatro ideias para contribuir com o tema.

1- Retomar o “projeto calçadas”. A proposta, que surgiu há mais de uma década teve um evidente papel no debate mas se mostrou pouco eficaz ao longo prazo, uma vez que padronizava o modelo mas não garantia a continuidade, delegando a cada um a construção de sua calçada e criando “vazios”, em especial nos bairros. Seria mais coeso, no caso de uma reestruturação do projeto, que a construção ficasse a cargo do Poder Público, que poderia, se for constatada a possibilidade financeira, cobrar uma taxa dos proprietários dos imóveis.

2- Absoluto respeito à acessibilidade. Calçadas exigem cuidado e zelo, com rampas, comunicação visual e faixa tátil. Além disso, um projeto integrado com a prometida “nova concessão” do transporte público para que os pontos do ônibus sejam uma conexão acessível e inteligente entre a calçadas e o interior dos ônibus.

3- Fazer um grande censo das árvores e criar corredores de sombra. A cidade precisa avaliar a possibilidade de substituir algumas árvores e de plantar novas, com raízes mais profundas, e de forma continuada para gerar corredores de sombra, aliviando a temperatura nas vias para pedestres e tornando o caminhar a pé algo mais confortável e atrativo.

4- Se comunicar com a população. É preciso se fazer campanhas educativas para evitar que comércios, bares e restaurantes não criem bloqueios à passagem e também para que motoristas não usem as calçadas como extensão de suas propriedades ou da rua. A fiscalização também ajuda mas o diálogo pode ser o caminho mais adequado para o estabelecimento de um pacto social.

Foz vive a retomada de sua economia e devemos entender esse processo como uma chance não somente de nos reerguemos mas também como uma oportunidade de mudarmos a nossa ideia de cidade, entendendo sempre que uma cidade só é verdadeiramente boa para o turista se ela é boa para quem vive nela.

*Luiz Henrique Dias é professor e coordenador do Coletivo de Cidadania de Foz do Iguaçu.