Pagar estacionamento rotativo é também um ato de cidadania

Foz vive uma polêmica: de um lado, a Prefeitura tentando dar um destino razoável e moderna para a questão do estacionamento rotativo, o ESTARFI, e, do outro lado, a desinformação propagada por grupos de whatsapp e de páginas em redes sociais.

Mas alguns pontos precisam ser levantados:

1- as vagas de estacionamento nas ruas são áreas públicas. Organizar o uso é garantir que todas as pessoas tenham a possibilidade de parar seus veículos e que ninguém tome para si, para o uso exclusivamente privado, o espaço público.

2- o pagamento é educativo e estrutural. A taxa de uso do espaço público é justa e razoável, desde que seja utilizada para ações de educação no trânsito, manutenção da sinalização vertical e horizontal e para melhorias nas vias onde há cobrança.

3- o uso da tecnologia aumenta a garantia da igualdade de direito do uso das vagas. Em uma sociedade que faz PIX, vota eletronicamente e usa redes sociais, é razoável se esperar que serviços urbanos sejam digitalizados. E o pior é que as pessoas que reclamam do sistema por aplicativo ou mesmo propagam mentiras sobre a digitalização fazem a crítica usando aplicativo, whatsapp e facebook. Uma incoerência.

4- só é multado quem não segue a regra. Chamar um sistema de regramento de “indústria da multa” é tentar confundir as pessoas. Basta a pessoa seguir as regras de funcionamento do sistema e não tentar se apropriar da vaga de estacionamento que não haverá notificação. E, mesmo assim, notificar não é multar, para chegar na multa ainda terá um longo caminho, como diz o Código Brasileiro de Trânsito.

Ao invés de estarmos discutindo algo tão óbvio, como o regramento das vagas públicas de estacionamento, deveríamos usar esse energia para avançar no debate sobre, por exemplo, o transporte coletivo ou a implantação de estrutura cicloviária, arborização e bicicletários, ou mesmo melhorar a estrutura para os taxistas e motoristas por aplicativo, com zonas de paradas e bolsões de estacionamento, temas que ajudariam a tirar a pressão de carros do Centro e das áreas comerciais da cidade e ajudariam comerciantes, clientes, turistas e, claro, o meio ambiente.

*Luiz Henrique Dias é professor e coordenador do Coletivo de Cidadania de Foz do Iguaçu.

*Luiz Henrique Dias é professor e coordenador do Coletivo de Cidadania de Foz do Iguaçu.