Começou a Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu e, nos próximos dias, moradores de Foz e região, além dos turistas terão mais uma opção cultural. Mas não quero aqui nem divulgar, nem elogiar e nem criticar o evento. Quero sim defender uma ideia.

Há alguns anos, apresentei em um artigo e depois defendi em alguns espaços de debate (inclusive no próprio Conselho Municipal de Cultura) a ideia de que realizássemos a Feira do Livro na Avenida Brasil, no Centro de Foz.

E ainda defendo.

Podemos avançar e a Feira pode, no futuro, acontecer na primeira quadra da Brasil, naquela parte plana e se fundir com a Feirinha Iguaçu e com o comércio da região, ou mesmo em pontos mais ousados, como o cruzamento da Quintino Bocaiúva ou no encontro com a rua da Câmara Municipal. Aí sim teria visibilidade, seria convidativa para pessoas.

Não acho que seja razoável fazer um evento tão importante, amplo e plural escondido, amuado, com a aparência de que foi feito pra contemplar um ou mais setores mas não a população de forma ampla e inclusiva.

Uma Feira do Livro precisa estar onde as muita gente passa, de acesso fácil e com possibilidade de chegada usando o transporte público. As pessoas precisam “dar de cara” com a feira e serem convidadas a entrar, de forma acolhedora e num espaço permeável e democrático.

E pra quem ainda usa o argumento de que isso vai atrapalhar o comércio e o trânsito, uso dois argumentos: 1- as pessoas não compram dentro dos carros, elas precisam descer, caminhar, viver a cidade pra consumir e; 2- imaginem o recado que Foz daria para o mundo se, pelo menos por uma semana, escolhesse dar preferência aos livros e não aos carros, não é?

*Luiz Henrique Dias é professor e coordenador do Coletivo de Cidadania de Foz do Iguaçu.