Hoje, boa parte dos jovens que vivem ou estudam na cidade acabam indo embora por falta de oportunidades em suas áreas de formação. Estamos perdendo técnicos, engenheiros, arquitetos, professores, antropólogos, matemáticos e profissionais capacitados, de diversas áreas, para outras cidades de médio porte, como Cascavel, Joinville, Chapecó e Maringá, porque não conseguimos oferecer condições de trabalho e renda adequadas, bem como não oferecemos cultura e lazer à altura das necessidades das novas gerações.

Esse cenário causa desânimo nas pessoas mais jovens e tem como consequência uma fuga de talentos, que irão desenvolver a economia e gerar riquezas em outros municípios.

E qual a saída, já que não temos setores desenvolvidos para absorver essas pessoas?

Um caminho é pactuarmos, como cidade, que precisamos garantir condições para que essas pessoas possam empreender, começar seus negócios, agregar valor à nossa economia e gerar empregos. Caso contrário, nunca teremos uma diversificação de nossas fontes de riqueza se não iniciarmos um processo de fomento às iniciativas, às ideias, à inovação e à tecnologia. A cidade precisa constituir linhas de crédito para compra de bens capitais, instalação de galpões tipo “coworking” industriais de tecnologia, pesquisa, agroindústria, agroecologia e desenvolvimento de materiais, bem como para desenvolver soluções para o setor de logística e para, claro, o turismo.

Temos que ir a campo, falar com quem tem o dinheiro, ir além de Itaipu, chamar os olhos do mundo para nós como uma cidade que quer ser inovadora, procurar organismos internacionais de financiamento e mostrar que podemos ser uma vitrine para o mundo, conciliando meio ambiente, melhoria dos indicadores econômicos e sociais alinhado a uma melhoria do ambiente empreendedor, valorizando os jovens e a qualidade de nossas instituições de ensino, que não somente mantém nossos jovens na cidade por mais tempo (antes eles iam embora para estudar e muitos nunca mais voltavam) mas também trazem para Foz pessoas que podem ficar se o ambiente for motivador e promissor.

Estamos perdendo o bonde da história e precisamos agir. Não podemos deixar mais nossos jovens bem formados irem embora. Eles querem ficar, só depende da cidade.

  • Luiz Henrique Dias é professor e gestor público. @luizhfoz