Estamos felizes com a segunda ponte, ligando Foz ao Paraguai. Mas também temos o direito de fazer uma profunda reflexão sobre os resultados práticos – e futuros – que essa obra pode trazer para o desenvolvimento de nossa cidade.

Pois bem, nas últimas semanas, acompanhamos um movimento intenso da classe política, lideranças e empresários defendendo que a segunda ponte, ligando Foz do Iguaçu ao Paraguai, seja chamada de Ponte da Integração e não de Jaime Lerner. Justo. O principal argumento, ao que parece, é que a ponte está sendo construída em Foz e precisa ter um nome que representa Foz. Justo e razoável. Mas será que essa ponte foi mesmo pensada para Foz? Creio que não. Ao que parece, ela foi construída para desafogar ainda mais os fluxos entre duas grandes metrópoles, São Paulo e Assunção, e nós temos a sorte de estarmos no caminho. Mas podemos mudar essa lógica.

Precisamos sim é nos inserir no fluxo, utilizar essa concentração, esse afunilamento de riquezas passando por aqui para gerar também riqueza e desenvolvimento de forma justa e social. Aproveitar a oportunidade para desenvolver o entorno da chamada perimetral, implantar centros logísticos – e não somente pátio de caminhões – qualificar nossos serviços e investir de verdade na industrialização da cidade, afinal temos um bom aeroporto, visibilidade internacional e, agora, mais uma grande ponte interligando o Brasil ao Mercosul.

Temos o parque tecnológico que precisa voltar a ser a referência que sempre foi no desenvolvimento e na inovação científica. E além disso, temos universidades públicas e centros universitários privados, o instituto federal, escolas técnicas e pesquisa de ponta e a possibilidade de oferecer mão de obra qualificada e jovem, disposta a trabalhar e construir um futuro esplêndido para além do turismo. Temos tudo e não podemos mais deixar que cidades muito menos importantes geograficamente como Cascavel e Maringá assumam protagonismo regional. Foz do Iguaçu é muito melhor e mais interessante que essas cidades.

Assim, a segunda ponte ligando Foz ao Paraguai precisa ser vista como uma oportunidade de mudarmos os rumos de nosso desenvolvimento econômico e de distribuição de renda, desenvolver as regiões leste e sul da cidade e criar condições para que nossos jovens tenha empregos na cidade, sem precisar ir embora. Para isso, precisaremos da mesma energia que estamos desprendendo para batizar a ponte para usar a obra e seus desdobramentos em nosso favor. Integração é o melhor nome, sem dúvida, mas, no fundo, no fundo, tanto faz o nome da ponte desde que ela seja uma ponte que cumpra o papel de realmente ser útil ao desenvolvimento de Foz do Iguaçu.

  • Luiz Henrique é professor e gestor público.