A pandemia, além de vidas perdidas, trouxe graves problemas à economia do país. Neste cenário, a população jovem, em especial entre 17 e 24 anos, foi a maior prejudicada. Historicamente, essa faixa etária já concentrava os maiores índices de consumo reprimido, desemprego, encarceramento e mortes violentas e, nos últimos meses, sentiu uma piora substancial em sua saúde mental, principalmente por conta da diminuição das perspectivas quanto ao futuro. Para contribuir a esse debate, segue quatro pontos propostas:

1- Educação como possibilidade de futuro – A retomada dos investimentos maciços em educação deve ser a base de qualquer retomada com perspectivas de longo prazo. Cursos técnicos e profissionalizantes precisam ser retomados e os recursos para as universidades precisam voltar a patamares aceitáveis para manutenção, permanência estudantil, valorização de servidores e, principalmente, para a pesquisa. É preciso a revogação da PEC dos gastos e a criação de outro mecanismo fiscal que não enforque o orçamento da educação pública.

2- Programas de emprego para recém formados – Não basta formar as pessoas jovens, o Brasil precisa criar um ambiente econômico favorável para a permanência no país ou vai sofrer a fuga de mão de obra especializada. Uma pesquisa da FGV mostra que a maior parte da juventude brasileira quer ir embora do país por falta de perspectiva. É preciso reverter esse processo.

3- Ampliação da capacidade de consumo – A população jovem pode ser fundamental na retomada econômica, em especial no comércio local e eletrônico, uma vez que vive numa constante capacidade reprimida de consumo e gasta praticamente toda sua renda em serviços caros para quem estuda e/ou trabalha. O Estado precisa assumir um papel de ampliar as gratuidades, em especial no transporte público e no acesso à internet de alta velocidade, e criar programas de renda básica e mínima para jovens.

4- Políticas públicas de saúde mental – Não podemos deixar de debater seriamente o tema da saúde mental das pessoas jovens e as gestões públicas precisam ampliar a rede de acolhimento e atendimento, tanto na assistência social quanto no sistema de saúde, contratando profissionais e fortalecendo o atendimento psicológico e psiquiátrico tanto na atenção básica quanto nos centros especializados e de referência.

É preciso compreender que o debate sobre juventude, por muitos anos, ficou focado apenas na cultura e no esporte e lazer. Sem contestar a importância dos temas, é muito pouco e precisamos avançar para o foco na pauta econômica. Além disso, é preciso sair da institucionalidade – chata e retrógrada – dos debates e audiências públicas pouco ou nada resolutivas e parar de utilizar os espaços destinados às pessoas jovens como ambientes de prestação de contas do Poder Público e dar, verdadeiramente, o protagonismo à juventude.

  • Luiz Henrique é professor e gestor público.