Uma questão constante entre a população e a Prefeitura sempre foi a poda, o corte e a retirada de árvores em áreas urbanas. De um lado, o controle serve para evitar a diminuição da cobertura vegetal, geradora de sombra e fundamental para amenizar as chamadas ilhas de calor por conta do aumento da malha de vias asfaltadas nos últimos anos.

Por outro lado, o da população, há uma insatisfação quanto aos protocolos para se mexer em árvores, o que tem deixado muita gente insatisfeita.

Basta andar pelos bairros, e também pelas áreas centrais, para ouvir uma história sobre “a árvore que caiu no telhado”, “o galho que arrebentou a fiação”, “a raiz que estourou o muro ou a calçada” e “o galho que pode cair a qualquer momento em cima de alguém ou de algum carro”.

O problema, como envolve atores com objetivos muitas vezes divergentes, dificilmente será contornado por completo. No entanto, pode ser amenizado se medidas preventivas e de diálogo forem tomadas. Abaixo, algumas sugestões para amenizar a tensão:

1- fazer um censo de todas as árvores em vias urbanas da cidade, observando a “saúde” de cada uma e organizando a poda programada com uma equipe de prevenção;

2- montar um gabinete conjunto sobre o tema, envolvendo prefeitura, moradores, copel (afinal, temos os fios), empresa responsável pela limpeza pública, bombeiros, órgãos ambientais e universidades, buscando um planejamento compartilhado das ações;

3- iniciar um grande programa de substituição da cobertura vegetal com risco de queda e acidentes, buscando simplesmente não retirar mas plantar espécies, por exemplo de raízes profundas, para garantir sombra para nossas vias e;

4- valorizar nossa flora local e tentar capitalizar para o turismo, uma vez que a cidade arborizada, florida e sombreada é também um atrativo.

Precisamos entender que estar em uma cidade é ter que conviver com os pontos de possíveis “conflitos” entre o natural e o artificial, garantindo que este não destrua aquele, mas buscando a melhor harmonia possível. Da mesma forma, gerenciar uma cidade exige capacidade de diálogo e da percepção de que é preciso mediar e tentar conciliar desejos e interesses, cedendo sempre onde é justo e garantindo prioridade ao interesse coletivo.

  • Luiz Henrique Dias é professor e gestor público.