* Matheus Müller

Em meio a uma crise econômica que indica piorar nos próximos anos, e a uma falta de um norte tecnológico rumo a uma soberania nacional e melhora da qualidade de vida e autoestima do povo brasileiro, nos encontramos hoje com um grande e antigo desafio, de levar o nosso belíssimo país Brasil ao seu digno lugar no espaço e tempo.

Um país que tem tudo para alcançar tal posição aristocrática, desde uma herança genética e cultural, até aos privilégios devido a sua posição geográfica, recursos minerais e clima. 

Dito isso, encontramos evidentemente um problema gravíssimo de espírito que assola não apenas a classe política em geral, inclusive dentro da esquerda, quanto também a classe trabalhadora, afetando até mesmo engenheiros que se enxergam de certa maneira “diferentes” da classe trabalhadora em si, sem consciência de classe.

E o principal problema não consigo dizer nem que seja a evidente falta de incentivo por parte das políticas públicas e universidades, mas sim principalmente uma falta de um certo espírito aristocrático de enfrentar as adversidades, por parte dos próprios universitários.

Logicamente um problema de tal magnitude, para ser resolvido de maneira competente, exige mais de uma solução pontual, no entanto um grande passo já seria dado em direção ao sucesso caso os próprios universitários abraçassem a causa como uma missão em suas vidas.

A missão de reindustrializar o país, gerar empregos e renda, de produzir e trabalhar para si mesmos, para o próprio povo, lutando por uma soberania verdadeira que vá além de falsas noções de “patriotismo” vazio que estão carregados de um sentimento de desdém pelo próprio ser e realidade, que se observa latentemente em meio a todo esse entreguismo justificado com um ar de “eu não consigo” 

Se algo podemos observar ao longo da história dos diversos esforços em criar algo maior que a si mesmo, é que a persistência e o trabalho árduo usualmente trazem recompensas. Com isso fica o chamado ao dever dos universitários, principalmente dos cursos de engenharia, de honrarem seu papel dentro da sociedade e assumirem a responsabilidade de lutar pelo desenvolvimento tecnológico, de criar empregos e gerar renda para o país em que vivemos.

Aos professores universitários presos em um academicismo vazio que como podemos observar não passa de uma métrica sem expressão, incentivo a assumirem a responsabilidade de formar integralmente aos alunos, com atitudes que superem ao teórico. mais que nunca precisamos no Brasil uma filosofia universitária que seja superior ao academicismo, que tenha como meio e como fim a práxis e a construção de empresas, de empregos.

A grande parte dos cursos de engenharia deixam a desejar na parte prática e acabam incentivando de certa maneira o abandono dos alunos aos seus respectivos cursos, o grande choque entre a expectativa da universidade e a realidade dos cursos. 

Precisamos urgentemente de uma reforma educacional voltada a uma criação e construção de coisas, não meramente ficar presos em um ciclo infinito de papelada sem muito valor expressivo fora das universidades. Os alunos anseiam por condições que propiciem a criação e até mesmo a imitação de tecnologias de fora. A colocar a mão na massa, antes que sejamos tragados pelo academicismo e a desmotivação bata na porta. 

Com isso trago novamente por meio da repetição a ênfase de que os problemas principais são meramente organizacionais e motivacionais, recurso temos de sobra, infelizmente muitas vezes mal alocados com diferentes prioridades.

Precisamos como alunos de engenharia nos organizar com um espírito aristocrático de lutar e encarar os desafios de estarmos em um país subdesenvolvido envolto em uma crise econômica, política e social. E ao mesmo tempo procurarmos ser exemplos aos próximos que queiram ingressar na universidade.

Devemos não apenas lutar por uma reforma como membros da classe, mas também posicionar-nos dentro da universidade em defesa da universidade, e exigir ao quadro dirigente das universidades, uma reforma educacional que seja de relevância e importância social.

Aos professores que assumam a grandíssima tarefa de formar uma classe consciente, mas competente e que tenham vontade de encarar problemas, mesmo em um país que não valorize apropriadamente o papel importante e fundamental do “maestro”, que se crie desde já uma relação entre professor e aluno que vá além de mero formalismo, que se criem laços duradouros e expressivos entre aquele que instrui e orienta, e aquele que está sendo formado para executar e carregar a árdua tarefa de um desenvolvimento a longo prazo.

Necessitamos mais aulas práticas, mais laboratórios, mais projetos de extensão, e se estes projetos não tem apoio imediato do quadro dirigente universitário ou dos professores, que nós mesmos, alunos, sejamos o exemplo e a ponta de lança e assumamos essa responsabilidade, podemos até dizer que se os países desenvolvidos têm o relógio, nós temos o tempo ao nosso lado. 

Devemos olhar de certa maneira com um romantismo e idealismo a nossa existência em um país maravilhoso como o Brasil, e que esse caminho e trabalho seja o suficiente para nos manter motivados dia a dia de ir em direção ao belo destino que nos espera. 

Se possível deixar algo de motivação aos leitores, que comecem desde já, organizem-se entre alunos, professores ou qualquer pessoa com vontade e disposição de mudança, e comecemos a construir, pouco a pouco, a solução para os problemas. Juntos iremos muito mais longe!


* Matheus Müller Silva, acadêmico de engenharia química, músico e empresário.