Por que defendo uma empresa pública operando o transporte coletivo?

Em Foz, temos uma certeza: o modelo de transporte coletivo que opera na cidade não nos atende. Como não nos atendia o modelo anterior e como corremos o risco de não nos atender um novo modelo se não houver um compromisso de toda a cidade com o tema da mobilidade.

Hoje, quando a população reclama do atual transporte público, ouve como argumentos das partes envolvidas no transporte que o limitante sempre é o custeio da operação e a chamada “saúde” financeira do sistema. E ficamos numa lógica sem saída: déficit na operação por conta da redução do número de passageiros que gera piora no serviço que gera mais redução de passageiros que gera mais déficit e assim segue.

Por isso defendo uma operação pública, voltada aos interesses da cidade.

Ou a gente decide transformar o transporte em uma política pública municipal e financia esse sistema ou vamos sempre ser reféns da lógica “só vai dar pra melhorar quando as passagens cobrirem os custos”. Mas esse dia nunca vai chegar.

Precisamos entender o quanto um transporte de qualidade, democrático, acessível, inteligente e sustentável não é gasto, é investimento em nossa gente, no desenvolvimento de nossos bairros e em nossos maiores ativos: o turística e a educação.

Se o transporte é bom, o morador usa, o empresário tem mais clientes, o turista ganha mais conforto e leva pra casa uma boa impressão da cidade, o estudante consegue mais agilidade para ir e voltar de suas aulas e todo mundo se beneficia.

E o que, no discurso, era prejuízo, vira lucro para a cidade inteira.

* Luiz Henrique Dias é professor, gestor público.

A saber: no dia 11 de agosto vai ter uma audiência pública sobre o tema. Saiba mais aqui: https://foz.digital/2021/08/09/audiencia-publica-na-camara-vai-debater-as-condicoes-do-transporte-coletivo-de-foz/