* Mohammad Ali Fayad

De acordo com o portal da Câmara dos Deputados a crise hídrica pode ser definida como “a falta de água para abastecimento humano em grandes cidades brasileiras”. As regiões sudeste e centro-oeste já sentem o reflexo da crise desde 2016 e a tendência é só piorar. Segundo o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), há 91 anos não se via tão pouca água nos reservatórios do país. Claramente, a falta de chuva é a principal vilã da falta de água no Brasil, porém aliado a isso vemos como consequência para a mudança climática o constante desmatamento da floresta amazônica. Só em abril deste ano, já foram registrados mais de 580 quilômetros quadrados de devastação, um aumento de 42% em comparação ao mesmo mês do ano passado, 2020. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Como se não bastasse, o governo cortou verbas de organizações responsáveis pela preservação ambiental no país, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que perdeu 4% em verbas e o Instituto Chico Mendes (ICMBio), cerca de 12%.

A baixa quantidade de água nos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país pesou consideravelmente no bolso do consumidor. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou o reajuste do preço da energia elétrica, em maio deste ano, da bandeira tarifária vermelha patamar 1 (R$ 4,169 a cada 100 kWh) para o patamar 2 em junho (R$ 6,243 a cada 100 kWh). A medida se deve ao acréscimo das usinas termelétricas para suprir o declínio da produção de energia nas hidrelétricas. Segundo a Aneel, o gasto adicional será de 9 bilhões de reais aos consumidores. De janeiro a abril de 2021, o acionamento das termelétricas já custou R$ 4,3 bilhões. Os reservatórios de hidrelétricas correspondem por cerca de 61% de toda energia consumida no país.

A falta de abastecimento de água já é realidade no Brasil, muitas cidades já vivem um cenário de escassez e racionamento. A capital Curitiba adotou desde março do ano passado um sistema de rodízio, sendo 60 horas de fornecimento e 36 horas com suspensão.

Você já deve ter notado que a situação hídrica no país não anda nada bem, então nosso papel como sociedade é reivindicar por políticas públicas que possam mudar o cenário de distribuição de água e fiscalizar setores que abusam dos recursos naturais, principalmente em relação ao desmatamento. Mais do que isso, é fundamental adotarmos uma rotina de combate ao desperdício de água e energia. Lutamos por uma população mais consciente e sustentável.

* Mohammad Ali Fayad é estudante de jornalismo.