A liberdade de expressão e de imprensa é uma das bases – constitucional e fundamental – de sociedades livres e democraticamente prósperas.

Mas esse pressuposto tem dado margem a movimentos prejudiciais ao direito de imprensa e de acesso à informação.

Em todo o Brasil, e em Foz do Iguaçu, veículos de imprensa sérios e comprometidos convivem há algum tempo com antigos apócrifos hoje confundidos com imprensa, dispostos a fazer um jogo que vai desde a militância até a difamação, sem passar por ritos básicos da produção de conteúdo jornalístico, como a checagem de dados e fatos.

O mesmo acontece com a “indústria da opinião”, antes delegada a quem analisa a conjuntura e oferecia posições críticas e argumentativas, de todas as posições políticas e ideológicas, e agora é também habitada por quem se autoproclama analista mas usa seu lugar de fala para propagar ataques combinados.

O “novo” cenário aqui na cidade é assustador: por vezes, a pressuposta imparcialidade de sites e jornais impressos sem lastro, redação ou mesmo periodicidade comprometida, tem servido de alicerce para um mercado de comunicação sem compromisso com a notícia ou mesmo com a opinião, servindo de veículo de difamação ou mesmo de proliferação de notícias falsas, as ditas fake news.

Estudos mostram que essa prática, das notícias totalmente ou parcialmente falsas, vem aumentando, em média, 150% ao ano no mundo, principalmente sobre política, economia e, com a pandemia, saúde. E aqui em Foz segue o mesmo rumo.

Leitores críticos, ou mesmo os difamados por esses veículos, e até a Justiça, se acionada, devem sempre fazer as seguintes perguntas: Por que essas práticas? O que se ganha com isso? Quem financia esse tipo de comunicação? E por que financia?

Poder apresentar uma opinião, um fato ou mesmo uma narrativa acerca dos acontecimentos deve ser mais que um direito mas um exercício de civilidade para cada. Em uma democracia, poder falar é um valor que, ao meu ver, passa longe de dar às pessoas o direito de difamar ou mesmo propagar injustamente falsas informações sobre quem quer que seja, principalmente sem o direito à resposta ou à manifestação.

Tenho a convicção de que é por meio de uma imprensa livre e acessível que a informação correta pode chegar às pessoas e a valorização da educação para a interpretação dos fatos e capacidade de avaliação dos cenários vai permitir leitores – ou espectadores ou ouvintes – mais críticos e capazes de tirarem suas próprias conclusões. A imprensa livre é diferente da comunicação difamatória e, por vezes, criminosa.

* Luiz Henrique Dias é professor e gestor público.