Reativar a economia de Foz exige coragem e boas ideias

Foz do Iguaçu vive uma crise sem precedentes. A pandemia nos mostrou o quanto ser uma cidade predominantemente turística é muito bom em tempos de bonança e economia mundial favorável mas também o quanto pode ser arriscado em tempos de recessão ou mesmo em calamidades públicas, sociais e sanitárias.

Segundo a Organização Mundial do Turismo, o setor foi o primeiro a sentir os efeitos da pandemia e, provavelmente, o último a se recuperar. O que nos dá um horizonte de dificuldades nos próximos anos e de preocupação com a vida das pessoas de Foz do Iguaçu, em especial as mais pobres e as que perderam seus trabalhos (formais e informais) nos últimos meses. 

Se esse cenário perdurar, a cidade vai começar a perder população economicamente ativa para outros municípios de porte semelhante mas com mais capacidade de geração de empregos na indústria ou mesmo consolidadas como polos regionais de serviços.

E também, vamos perder uma massa considerável de jovens (um bônus populacional importante para a retomada da economia). Muitos vieram para a cidade buscando capacitação e formação universitária mas vislumbram abandonar seus estudos para trabalhar pelo próprio sustento e para o sustento de suas famílias. 

E qual a saída?

Em primeiro lugar, devemos assumir que o turismo –  seja ele o melhor dos setores e nossa vocação –  não vai se recuperar rapidamente, aqui e no mundo. 

Em seguida, é fundamental o Estado (e aqui falo das três esferas de poder e também de instituições como Itaipu Binacional) atuar de forma sistemática e planejada na ativação da economia interna, dando andamento às obras de infraestrutura, como a 2ª ponte, a perimetral e aeroporto, além do recém aprovado pacote de R$ 40 milhões da Prefeitura para o avanço de obras estruturais, e iniciando outros projetos fundamentais de habitação, saneamento básico, recuperação de áreas degradadas, zeladoria, melhoria urbana e a total reformulação da mobilidade urbana da cidade, implantando ciclovias e remodelando o transporte público como um todo, com a construção de novos terminais e a criação de uma empresa pública para operar o sistema. 

Um programa de investimentos pesados em geração de empregos com carteira assinada e crédito para os microempreendedores, o que vai gerar um ciclo virtuoso de salários para serem gastos no comércio local, em especial nos bairros, que por sua vez contrata gente e a roda começa a girar. 

E quando o turismo voltar, e vai voltar, poderemos receber bem visitantes e investidores teremos a possibilidade de mostrar ao mundo o quanto somos mais que uma cidade com pontos turísticos e o quanto cuidamos das pessoas com gestão, planejamento e distribuição de renda.