Internacional: terceira onda

Meios de comunicação noticiaram nos últimos dias as novas medidas restritivas na Europa. O continente se encaminha para a sua terceira quarentena. Dessa vez, as medidas incluem toques de recolher, proibição de viagens internas e externas e o fechamento ou limitação do funcionamento do comércio não essencial. A União Européia representa 20% dos casos e 21% das mortes por Covid-19 no mundo.

Os países do bloco tem hoje diferentes medidas restritivas entre si e se destacam medidas regionais. Na Itália, 10 das 20 regiões estão em quarentena. Na França, 16 de 96. Na Alemanha, 10 de 16. De forma geral, regiões turísticas como Paris, Milão ou Roma têm medidas mais duras.

Os serviços não essenciais como academias, hotéis, restaurantes, bares clubes esportivos e teatros ou cinemas continuam fechados, via de regra. Há diferentes medidas no que tange à educação. Na Alemanha, uma nova interrupção das aulas não está, ainda, no horizonte. Muitos alunos não voltaram das férias do fim do ano, e os que voltaram têm aulas um dia a cada dois. O país chegou a estudar medidas de restrição intensa durante a Semana Santa, uma vez que os leitos de UTI estão perto de sua lotação máxima e o número de novos casos é alto.

Portugal parece ser o extremo oposto no continente. O país que começou o mês de fevereiro com descontrole da pandemia e precisando de ajuda internacional agora reduz número de casos, inicia a reabertura do país e tem o primeiro território europeu a vacnar a população com duas doses.

As experiências européias reiteram a fórmula básica de enfrentamento à pandemia até aqui. Medidas mais severas de restrição do contágio para que os sistemas de saúde possam dar conta de atender a demanda e esforços importantes no sentido da vacinação.

O continente também tem movimentações quanto ao chamado tratamento precoce contra a Covid-19. A Agência Europeia de Medicamentos desaconselha o uso da Ivermectina contra a Covid, seja no tratamento ou na prevenção. Segundo a Agência, o produto realmente pode bloquear a replicação do vírus, mas em concentrações muito mais altas do que as autorizadas, ainda assim, os estudos mostram pouco ou nennhum benefício do tratamento.

O assunto é tema de notícias falsas na internet. Uma recente é a de que médicos europeus têm pedido o uso da Ivermectina. O que aconteceu na verdade é que um grupo de médicos de Portugal procurou a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) pedindo a avaliação e recomendação do medicamento no tratamento da doença.Não houve recomendação uma vez que a avaliação constatou a ineficácia do mesmo. As publicações falsas utilizavam imagens de autoridades do ramo, como Tedros Adhanon, diretor da OMS. No entanto, a organização – e o diretor – não recomendam o uso da ivermectina para propósitos diferentes dos citados na bula, por falta de evidências científicas. O medicamento antiparasitário é principalmente indicado no tratamento de ascaridíase e condições semelhantes.

João Cararo é estudante de Relações Internacionais e Integração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana.