Os Estados Unidos da América são uma grande potência do Sistema Militar. Um país com amplo poder político, econômico, militar e cultural. Em torno dessa grande potência está um dos importantes debates das relações internacionais. Há hegemonia dos Estados Unidos a nível mundial hoje? E antes, houve?

O crescimento dos Estados Unidos enquanto potência se dá majoritariamente no séxulo XX. É no contexto das Guerras Mundiais, mais especficamente, que assume esta posição. No entanto, protagonizou até o início da década de 1990 um sistema onde não era hegemônico. O Sistema Internacional até então se organizava em torno de dois polos: Estados Unidos e União Soviética.

Com a queda da União Soviética, o Sistema passava a ter apenas uma superpotência, e surgem interpretações como a de Francis Fukuyama de que esse seria “o fim da história”, porque considera que se consagra como único o modelo estadunidense, da democracia liberal, sendo o fim de uma evolução sociocultural que se perpetuaria.

No entanto, o modelo não foi, em momento algum, o único. O Sistema Internacional continou a ter unidades que se organizavam de forma diferente. Da China do comunismo de mercado às coroas e a preservação política de reis e rainhas ao século e às democracias plurinacionais, capazes de reconhecer diferentes nacionalidades dentro de um mesmo Estado, como o Estado Plurinacional da Bolívia.

Ainda que, indiscutivelmente, no período imediato ao fim da Guerra Fria, não tenha havido potência capaz de se contrapor em igualdade de poder aos Estados Unidos, o que não significa que este tenha exercido em momento algum hegemonia global. A supremacia, a autoridade, a liderança estadunidense não chegou a todos os demais Estados.

Diferentes autores no campo das Relações Internacionais passam a discutir que mediante a dificuldade em se impor uma hegemonia global, são recorrentes na história hegemonias regionais, e em se tratando de hegemonias regionais, a exercem outros atores no mundo além dos Estados Unidos. A União Soviética, a seu tempo, o fez. A China, ainda que não reivindique discursivamente o posto, o faz, mas também países menores como o próprio Irã, com poder razoável a nível regional tendo protagonizado junto aos Estados Unidos em 2020 o que muitos viram como a iminência de um novo conflito de proporções globais.

Dessa forma, não há, não houve e parece pouco provável que no futuro exista uma hegemonia global, seja por parte dos Estados Unidos ou de outros Estados. No entanto, há, sim, hegemonia. O Ocidente é o espaço da hegemonia estadunidense há muito tempo. A Doutrina Monroe, direcionamento do presidente estadunidense James Monroe em 1821 sobre as relações com a Europa sobre as terras no continente americano, já tratava de que a América tinha um hemisfério para si, o que ganha aspecto realmente de hegemonia quando a partir da década de 1890 são iniciadas séries de intervenções militares, assim como mais tarde no século XX com a Operação Condor, assim como as revoluções coloridas na contemporaneidade, assim como no envolvimendo americano com operações judiciais no Brasil nos últimos anos.

A hegemonia estadunidense pode não ser ou não ter sido global, mas existe, e deve continuar, ainda, por um considerável período.

João Cararo é estudante de Relações Internacionais e Integração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana