No início de fevereiro, a CNN noticiou o envio do destróier de mísseis guiados USS John S. McCain, de base japonesa, pelo estreito de Taiwan pela primeira vez na gestão de Joe Biden. O exercício foi uma importante demonstração do compromisso estadunidense para com Taiwan, território que se reivindica independende da China, desde a guerra civil vencida pelos comunistas em 1949, que já externou a possibilidade de utilizar capacidades militares para reunificar o país, caso alternativas pacíficas não sejam possíveis. Mas este era apenas o início de um mês agitado nas águas asiáticas.

Dias depois, o Poder Naval noticiou a união da Índia a um exercício naval conjunto entre Irã e Rússia, com participação Chinesa. As declarações do comandante da Marinha Iraniana, Hossein Khanzadi, eram de que “a arrogância global que dominou a região deve perceber que precisa deixá-la”. O que é compreendido como uma referência aos Estados Unidos, uma vez que as relações entre as partes têm sido tensas. A postura indiana reforça, de certa forma, sua postura de não-alinhamento às potências, reivindicada historicamente, uma vez que também desde 2019 integra a Quad, um grupo estratégico informal com Estados Unidos, Austrália e Japão.

Na sequência, no dia 20 deste mês foi a vez de França, Japão e Estados Unidos realizarem um exercício naval no mar da China Oriental. Segundo reportagem do Sputnik Brasil, a França passa a participar deste tipo de exercício uma vez que iniciará patrulhamento tendo como alvo a possível compra de combustível chinês para embarcações norte-coreanas. É um movimento arriscado, uma vez que desde o fim de janeiro, por via de lei, a China autorizou sua marinha a atirar contra embarcações estrangeiras nas águas de soberania chinesa.

Logo depois, no dia 23, o mesmo portal retoma a temática das relações entre Estados Unidos e Taiwan. Segundo a reportagem, especialistas sugerem uma “fantasia” taiwanesa em esperar que os americanos atuem em sua defesa em caso de uma Guerra proposta pela China, e que, a instabilidade regional é causapa por Pequim, ao ameaçar constantemente o emprego da força em um eventual conflito com Taiwan.

O próximo capítulo se daria no último dia 24, quando a China realizou exercícios navais junto a Singapura. Ainda de acordo com o Sputnik Brasil, Gao Xiucheng, porta-voz da Marinha chinesa, disse que há objetivo de promover a cooperação entre as partes e contruir uma comunidade marítima com futuro compartilhado. O que na prática é a resposta chinesa aos constantes exercícios estadunidenses na região, consolidando alianças regionais com esse fim.

Já no dia 25, novamente o Sputnik Brasil noticia a crítica chinesa à passagem do navio de guerra USS Curtis Wilbur, dos Estados Unidos pelo Estreito de Taiwan, o que compreende como uma violação de sua soberania.

São esperados novos treinamentos das alianças chinesas na região, com destaque para um com forças do Camboja, onde devem ser empregadas munições vivas durante semanas.

Ainda que as relações entre Estados Unidos e China não apresentem hoje maiores características que sugiram um grande conflito armado, a corrida militar entre as potências é mais uma das facetas do que diferentes analistas já chamam de “Nova Guerra Fria”.

João Cararo é estudante de Relações Internacionais e Integração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana