​No ano de 1978 a Revolução de Saur colocou no poder político do Afeganistão o Partido Democrático Popular do Afeganistão, cujas relações com a União Soviética eram de parceria, o que levava forças militares soviéticas ao país mediante requisição para reforço da segurança. No entanto, em 1979, visando estabilizar sua esfera de influência, a União Soviética intervém militarmente no país, que manteria sob domínio até o ano de 1989. Era iniciada a Guerra do Afeganistão.

​Nesse período, os Estados Unidos financiaram grupos locais para combater as forças soviéticas no mais comum dos modus operandi da Guerra Fria. Dentre estes, alguns líderes se destacam. Burhanuddin Rabbani mais tarde se tornaria presidente do Afeganistão, enquanto Osama bin Laden se tornaria o grande nome da Al-Qaeda, criada em 1988.

​Aqui se encontra a chave para a infindável Guerra do Afeganistão. Para os Estados Unidos, vencer a União Soviética era o objetivo. No entanto, para os grupos financiados no território, com razões políticas, nacionalistas e religiosas, a retirada das forças comunistas eram apenas o início. A partir da década de 1990, para essa tropa de elite, o inimigo agora é outro.

​As forças se voltaram contra os Estados Unidos e a imposição de suas bases militares na região, o que continuou motivando conflitos na região e, com a escalada das tensões, culminou nos atentados de 11 de setembro contra o World Trade Center e o Pentágono. Em resposta, os Estados Unidos enviaram forças à região, e o então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, chega a sugerir a aplicação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, embora não tenha sido cogitado, segundo ele, o envio de tropas brasileiras contra terroristas.

​Desde então, as tropas estadunidenses se mantém no país asiático. Se realizam eleições sob a guarda destas forças, e burocraticamente o Estado voltou com o tempo a operar, destacadamente após 2004, com as primeiras eleições no país. No entanto, em alguns períodos, organizações terroristas como o Talibã chegam a ter controle de porções maiores do território do que o próprio governo.

​Uma das grandes pautas do governo Trump era a retirada das forças estadunidenses da região, o que não se consolidou, o que tampouco parece ser primordial para o governo Joe Biden. No entanto, segundo reportagem do Estados de Minas, o Talibã ofereceu no dia 1 de fevereiro um período até maio para que sejam retiradas as tropas americanas, ou continuarão seu combate no território. Por outro lado, segundo reportagem do Minuto ao Minuto, os Estados Unidos consideram adiar a reirada, uma vez que consideram que os talibãs não respeitaram compromissos que assumiram anteriormente e que o movimento poderia causar novos conflitos. Além disso, segundo reportagem da Istoé, o relatório considera que o movimento deixaria que grupos terroristas se reestruturassem e promovessem um discurso de vitória sobre “o pais mais poderoso do mundo”.

​A realidade do conflito é extremamente polêmica, bem como os interesses excusos das partes envolvidas e, também, suas ferramentas. Segundo reportagem do Obervador, a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão alega que 30% dos detidos por terrorismo no Afeganistão teriam sido torturados. Esse número, no entanto, já foi maior no passado. O TRT também relata a situação, destacando que a prática é contrária tanto à constituição Afegã quanto ao Direito Internacional.

​Tendo em conta a situação do país, e destacando que desde o início da pandemia os ataques contra estruturas médicas e educativas aumentou, o Mundo ao Minuto destaca que a União Europeia fornece ajuda humanitária ao país, visando atender os civis afetados pelo conflito, utilizando um montande de 32 milhões de euros.

O que é certo, no momento, é que o conflito parece longe de terminar.

João Cararo é estudante de Relações Internacionais e Integração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana