Mais do que visibilidade: 29 de janeiro é dia de responsabilidade

Foz do Iguaçu não pode se eximir da responsabilidade de garantir direitos e precisa agir.

Quando o assunto é a população trans e travesti, em 2021, uma cidade precisa partir de quatro premissas básicas e relevantes:

1 – estamos sim tratando de uma população vulnerável e, historicamente, com direitos negados;

2 – a prostituição, que se tornou a forma de sobrevivência para grande parte dessa população, não é uma escolha e sim um resultado social;

3- mesmo com acesso a políticas sociais, é preciso ter a consciência de que o preconceito ainda é uma barreira a ser vencida pela sociedade;

4- acesso à educação e às oportunidades são as formas mais eficazes de reverter o processo histórico e garantir a autonomia.

Dito isso, o Poder Público, em especial o Municipal, precisa compreender seu papel de agente da mudança e apresentar ações, do curto ao longo prazo, de educação, saúde básica e especializada, capacitação, emprego e renda, habitação, saneamento, fomento à cultura e à diversidade.

E isso pode ser feito por via de um grande programa multidisciplinar de restabelecimento de vínculos e inserção social com resgate da cidadania plena.

O Poder Público precisa também dar o exemplo, sendo o primeiro dos setores da sociedade a fazer a mudança efetiva: abrindo vagas de estágio e trabalho (concursado e comissionado) para a população trans e travesti, capacitando quem trabalha no serviço público sobre o tratamento correto do nome social e sobre a obrigação de cada pessoa atuante nos espaços públicos de respeitar, não negar direitos e acolher demandas de todas as pessoas, sem distinção.

Fechar os olhos, protelar a discussão e achar que avançar no tema pode ser algo “polêmico” e impopular, está custando vidas e negando direitos. E isso mostra o quanto estamos divididos em dois segmentos: de um lado, os dispostos a atravancar as discussões sobre transfobia e direitos às pessoas trans e travestis, seja por desinformação, seja por preconceito, e, do outro lado, os “bem intencionados” mas inertes, incapazes de mover uma palha para começar a solucionar a questão.
E no meio desses, quem está em situação de vulnerabilidade, buscando como pode os seus direitos.

Nesse 29 de janeiro, dia da visibilidade trans, devemos, como população e como cidade, a responsabilidade de, em primeiro lugar, não mais fugir do debate sobre as políticas públicas e sociais para homens e mulheres transsexuais e travestis em Foz do Iguaçu e no Brasil. .

* Luiz Henrique Dias é professor e gestor público