por João Cararo

Uma das grandes missões do campo das Relações Internacionais é compreender, solucionar e evitar conflitos. A própria disciplina de Relações Internacionais nasce após a primeira guerra mundial com essa finalidade. A diplomacia brasileira mesmo atuou no passado com muita qualidade nessa tarefa, chegando a mediar grandes controvérsias da história recente, como a problemática entre Estados Unidos e Irã em torno do enriquecimento de Urânio. Hoje, uma das grandes questões a serem mediadas é a tensão na região do Oriente Médio, destacadamente no Golfo Pérsico.

Essa região tem dois pontos de destaque que a transformam em uma das mais, senão a mais estratégica do mundo: a maior produção de petróleo e sua posição, rota para muitos navios, com destaque, claro, para os petroleiros. É a região da guerra entre Irã e Iraque, Guerra do Golfo e é também onde grupos nacionalistas insatisfeitos com a invasão estadunidense forma a Al-Qaeda.

Na região, uma grande tensão no momento é entre Irã e Arábia Saudita. O primeiro, trabalha em programa de mísseis balísticos, enquanto o segundo conta com bases estadunidenses na região.Nesse momento, toma destaque nos esforços para a resolução pacífica da situação o Qatar, que segundo reportagem da AlJazeera chama os países da região para se engajarem na diplomacia com o Irã.

Segundo reportagem da Reuters, o ministro das relações exteriores do Qatar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani declarou que a situação deve ser resolvida pelo diálogo, respeitando-se princípios da soberania e não-interferencia nos assuntos internos nas relações entre os Estados. Tais princípios são fundamentais nas Relações Internacionais e regem as relações diplomáticas desde o Tratado de Westfália, que deu fim à Guerra dos Trinta Anos em 1648.

Segundo o ministro, há esperança de que isso aconteça, e de que esta é uma vontade compartilhada com mais países da região. Na mesma ocasião, propõe que o Qatar poderia facilitar as negociações entre Estados Unidos e Irã, caso procurado. O tema deve ganhar relevância, uma vez que com a mudança de governo nos Estados Unidos se esperam mudanças na atuação norte-americana sobre o tema.

Um grande exemplo é que os Estados Unidos devem voltar ao acordo nuclear com o Irã do qual o governo Donald Trump se retirou. Além disso, Joe Biden já nomeou Wendy Sherman, negociador do acordo com o Irã, para a segunda mais alta posição no Departamento de Estado.

Enquanto a transição de governo nos Estados Unidos ocorre, o mundo aguarda a prática das mudanças esperadas na Política Externa norte-americana, destacadamente para a região do Golfo.

João Cararo é estudante de Relações Internacionais e Integração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana