Foz do Iguaçu precisa pensar em uma lógica integrada e inteligente, priorizando veículos compartilhados, transporte público e mobilidade ativa.

Um dos temas mais importantes para as médias cidades brasileiras é a mobilidade.

Primeiro porque as capitais e grandes aglomerações urbanas do país já mostraram que, apesar de iniciativas pontuais ou mesmo exceções, falharam em suas ações sobre de mobilidade e se vêm afundadas em trânsitos caóticos, sistemas de transporte públicos ruins e ineficientes e pouca adesão ao uso de bicicletas e outros meios ativos de locomoção. Segundo, porque a lógica – que eu chamaria de estranha – de que a mobilidade é um problema apenas das pessoas dispostas a fazer deslocamentos, sem levar em consideração o desenvolvimento econômico local, precisa ser revista ou mesmo extinta.

Permita-me, prezada pessoa que me lê aqui, falar um pouco sobre os pontos acima:

Temos, vivendo em uma cidade média (https://fozdoiguacu.digital/2020/05/23/medias-cidades-novos-polos/), a oportunidade de observarmos os erros cometidos pelas grandes cidades (que foram médias um dia, não) e usar a mais eficaz ferramenta disponível: o planejamento urbano. Pensar uma cidade capaz de se mover de forma fluída e justa, garantindo o direito ao deslocamento e à escolha de qual modal (carro, ônibus, patinete, aplicativo, bicicleta ou a pé) pode ser sinônimo de ouvir as pessoas, as universidades, e de, a partir de ações democráticas, garantir o exercício pleno cidadania, que inclui o direito à cidade e a se deslocar por ela. Devemos incluir todas as pessoas nesse planejamento e garantir a divisão justa das ruas e das calçadas não com base nos dados presentes mas no que desejamos para o futuro. Por exemplo: deixar de fazer ciclovia com o argumento de haver pouca gente pedalando é desconsiderar que a demanda aumenta se há estrutura e segurança.

Seguindo em frente, a visão macro do transporte e da mobilidade pode ter nos tirado, ao longo dos anos, a sensibilidade de compreender o quanto garantir o direito ao deslocamento pode desenvolver a economia local, de nossos bairros e regiões da cidade. Vejamos: onde passa um ônibus, e perto dos pontos, surgem pequenos comércios e prestadores de serviços. Onde se passam vários ônibus, surge uma lógica de prestação de serviços maiores, como lotéricas e agências bancárias, além de farmácias, mercados e lojas. E há uma valorização regional. Ações como linhas mais curtas e interligando bairros – nosso sistema ainda prioriza as linhas em direção ao Centro – e possibilidade de poder desembarcar e reembarcar sem pagamento de nova passagem são estratégias de fomentar a economia local e seu custo tende a se tornar pequeno perto do benefício para a população e pequenos e médios empresários.

Eu também poderia ter justificado a importância de uma mobilidade urbana mais planejada e eficiente para Foz do Iguaçu usando o argumento de vivermos em uma cidade turística e, por isso, precisarmos atender bem quem nos visita mas, convenhamos, se a cidade for boa para quem vive aqui, consequentemente, elá será boa também para quem visita. Não é?

Luiz Henrique Dias é professor e gestor público.