* Luiz Henrique

A pandemia não voltou. Não há segunda onda. Ela, a pandemia, em Foz, e no Brasil, nunca acabou. Foi nossa percepção sobre o perigo dessa doença que ficou elástica e nosso medo que se flexibilizou. Me lembro de nós assustados com os primeiros casos e em pânico quando os boletins falavam em 10, 12 casos por dia. Depois, a gente se acostumou com 100, 120, 150 casos confirmados por dia, aplicando apoios psicológicos em nós mesmos (ou aceitando os falados pelos outros) “aumentou porque agora tem testagem”, “aumentou porque voltou o turismo”, “aumentou porque abriu a ponte”, e agora chegamos a mais de 200 novos casos por dia e ainda não entendemos que esse aumento tem um culpado maior: nós mesmos. A gente se cuida pouco, muito menos do que precisamos. Amanhecemos nesta segunda chuvosa com a notícia de não haver mais lugar para nos levarem se adoecermos. Os leitos estão acabando, as UTIs estão cheias. Como nunca estiveram. E há gente morrendo. Não aceite mais o tiozão com a máscara abaixo do nariz no mercado. Não aceite mais a aglomeração. Saia de casa com cuidado, siga sua vida com higiene e cautela. Acompanhe as orientações das autoridades em saúde. Pressione os governos por mais testagens e por celeridade na vacinação do povo. A normalidade nunca voltou ao normal, nós que estamos forçando algo que não existe. Vamos nos cuidar, por favor. E boa semana.

* Luiz Henrique Dias é professor, escritor e gestor público.