A crise do coronavírus no Brasil e no mundo: seria este o momento para flexibilizar o isolamento social?

Por Ana Karolina Morais da Silva*

Desde o início da crise do coronavírus no Brasil, muito tem sido discutido acerca das medidas de isolamento social propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aplicadas por, praticamente, a totalidade dos países afetados pela Covid-19.

No Brasil, inicialmente, o Ministério da Saúde havia adotado tais medidas; entretanto, desde a mudança da liderança da pasta, realizada no último dia 17, o novo ministro Nelson Teich, os dados acerca das localidades em estado de emergência deixaram de ser divulgados, e a política a ser seguida para a contenção do vírus a nível nacional ainda não foi apresentada. 

Anteriormente, o Ministério da Saúde publicava diariamente uma lista de localidades em que haviam 52,11 casos de Covid-19 por 100 mil habitantes – este seria o critério para se enquadrar no estado de emergência, uma vez que a média do Brasil é de 34,74 casos por 100 mil habitantes, de acordo com um levantamento realizado pelo G1 em conjunto com as secretarias estaduais de saúde.

De acordo com um estudo realizado pela Imperial Collegede Londres, no qual foram analisados 48 países, o Brasil possui a maior taxa de contaminação dentre todos. A taxa do país chega a 2,8 – o que significa dizer que cada pessoa infectada contamina a, praticamente, mais três pessoas. 

Ainda, o estudo aponta que 9 países contam atualmente com uma tendência de crescimento do número de casos da doença, sendo estes Brasil, Canadá, Índia, Irlanda, México, Paquistão, Peru, Polônia e Rússia, e estima que nesta semana o país poderá chegar à dramática marca de 10 mil óbitos. 

Neste sentido, contrariando os números que demonstram a clara necessidade do isolamento social para impedir que haja superlotação dos leitos hospitalares, o comércio tem sido parcialmente liberado em diversas cidades brasileiras, incluindo Foz do Iguaçu.

No último dia 22, a cidade teve parte do seu comércio reaberto com restrições, incluindo a reabertura de seus shopping centers e o retorno do funcionamento do transporte público coletivo. Consequentemente, inúmeras empresas estão retomando suas atividades e aumentando a circulação de pessoas na cidade. 

Entretanto, no dia 26 de abril, houve a confirmação do primeiro caso de morte pela Covid-19 em terras iguaçuenses. Segundo o boletim de domingo (26) da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Foz do Iguaçu tem 43 casos confirmados do novo coronavírus, um número menor que o da média nacional (de 34,74 casos por 100 mil habitantes).

Considerando a desatualização dos dados publicados pelo Ministério da Saúde, a ausência de uma política nacional de contenção ao avanço do coronavírus, a alta taxa de contaminação e a tendência ao crescimento do número de casos da Covid-19 em todo o país, seria este o momento mais adequado para flexibilizar o isolamento social? 

Em algumas das principais cidades do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, a resposta dada à esta pergunta por parte dos governadores tem sido direta e clara: não. Não é o momento para a flexibilização do isolamento social. De fato, tal flexibilização coloca em risco um maior número de pessoas ao potencializar exponencialmente a possibilidade de contágio – na Alemanha, por exemplo, a flexibilização do isolamento levou a um aumento no número de casos. 

Por outro lado, o Instituto Cochrane mostra que a quarentena e medidas de isolamento social reduzem de 31 a 63% o número de mortes por coronavírus. Em um momento tão crucial da história não só do Brasil, mas de toda a humanidade, todos os esforços necessários devem ser realizados para preservar vidas. Afinal, há algo mais importante do que isto?

*Ana Karolina é graduada em Relações Internacionais e Integração pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), mestranda em Integração Contemporânea da América Latina pela mesma instituição e pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos, Geopolítica e Integração Regional (NEEGI) e da Agência Juvenil de Energia dos BRICS (BRICS YEA).

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